
Confesso que cheguei ao fim da noite sem entender quase nada. Mas isso também não era lá o mais importante. Importante mesmo era o que eu tinha visto, o que eu tinha sentido, a vibração que aquela música provocou em mim.
No sábado, a jornalista Samia Afiune e o empresário Faez Abeoud subiram ao altar da bela (belíssima) Igreja São Nicolau. A igrejinha (ali na República do Líbano, na divisa dos Setores Oeste, Aeroporto e Centro) foi o palco da cerimônia católica ortodoxa que celebrou a união dos dois, cujas famílias tem origem síria. Os padres que comandaram a cerimônia (Rafael Magu e Firass Bustate) celebraram o casamento parte em árabe, parte em português. A igreja, pequenininha mesmo, tem uma tonalidade ocre – em parte provocada pela iluminação –, o que torna ainda mais belos os muitos paineis que se espalham em seu interior, todos com representações caprichadíssimas das principais lideranças da doutrina católica. Acostumada a a testemunhar casamentos realizados em enormes templos apinhados de gente, surpreendi-me com cada detalhe daquela cerimônia, onde tudo fazia sentido. De mãos dadas, celebrante e noivos dão voltas em torno do altar, sobre o qual está o Evangelho. No álbum de fotografias de Samia estarão fotos dela e do marido com coroas douradas sobre a cabeça, depositadas pelo sacerdote e trocadas, de um para o outro, em uma cena cuja simbologia era de encher o coração.
Mas foi mesmo na recepção oferecida pelos noivos aos convidados que, definitivamente, me encantei. Uma banda de São Paulo veio a Goiânia especialmente para tocar na festa de casamento. Nada que eu tivesse visto até aquela noite chegaria perto daquela atmosfera. A música – intensa, de batidas fortemente marcadas e incompreensível (rs) – transformava os corpos de homens e mulheres em curvas sinuosas. Elas com um balanço ritmado dos quadris e mãos que querem seduzir todo o tempo. Eles, com uma desenvoltura sem qualquer referência do lado de cá, no ocidente, se dão as mãos para dançar. Com batidas de pés transmitem força e sensualidade. Quando Samia e Faez chegaram ao local da festa, foram apresentados num cortejo de mulheres que dançavam com candelabros sobre a cabeça, uma dança tradicional em cerimônias de casamentos árabes. Também não sei o que significa o ritual, mas gostei demais de ver a luz daquelas velas a iluminar o salão...
Beleza, sensualidade, tradição, cultura, identidade.
Foto: Deire Assis